Fundação Cultural Badesc apresenta Haiti – Bombagai

Foto de Radilson Carlos gomes.

“Não enxerguei os escombros, apenas a beleza da vida que saltava dos olhares daquelas pessoas A beleza ou riqueza do país estava ali, diante de minhas lentes”

 

A Fundação Cultural Badesc abriu em maio a exposição Haiti – Bombagai, de Radilson Carlos Gomes. A exposição é um conjunto de 39 fotografias produzidas em 2011, um ano após o terremoto que assolou aquele país e que resultou em pelo menos 100 mil mortos e mais de três milhões de atingidos. A exposição é inédita e fica disponível ao público até 12 de junho.

“A exposição se construiu no processo de gente olhando gente e formando imagens que falam por si mesmas.  Essa exposição se resume a uma palavra: bombagai: sangue bom, gente boa, coisa boa. É um verdadeiro agradecimento, um dizer imagético de um fotógrafo que se alimentou pelo afeto do povo haitiano”, destaca Radilson, que é fotógrafo desde 1986.

Radilson foi para o Haiti integrando uma equipe multidisciplinar do Itamaraty e do Ministério da Saúde, que a convite do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização das Nações Unidas (ONU), participou de um acordo de cooperação técnico científico Brasil-Haiti com o objetivo de redução da violência contra a mulher naquele país.

A missão de Radilson era a de realizar uma oficina de fotografia para  profissionais de saúde para facilitar os registros dos casos de violência contra a mulher que chegavam às unidades de saúde todos os dias. “Assim que cheguei o início dos trabalhos foi adiado, período em que reencontrei um amigo (Martin Wartchow) que conhecera em uma missão no Amazonas e que estava em missão humanitária no Haiti. Acompanhei seu trabalho durante dois dias e registrei as minhas afetações sobre tudo o que observava. Não enxerguei os escombros, apenas a beleza da vida que saltava dos olhares daquelas pessoas. A beleza ou riqueza do país estava ali, diante de minhas lentes. Em cada clique um sorriso, um gesto, um olhar profundo e muita altivez”, conta.

Motivado pela busca daquele povo em se reerguer, Radilson destaca que as colegiais vestidas com uniformes impecavelmente limpos, meias brancas e calçados brilhantes, sem ter sequer água nas torneiras lhe provocavam curiosidade e admiração. “Todos os dias a água tinha que ser conquistada por cada família. Decidi assim, registrar a vida, a luz, as pessoas e não a tragédia. Várias e várias edificações destruídas e com pouca esperança de que sejam recuperadas um dia”, acrescenta.

Sem projeto

Radilson destaca que saiu do Brasil sem um projeto específico. Tinha consciência de que o Haiti lhe renderia imagens. Mas não sabia o que especificamente. “Levei todo o equipamento necessário para realizar um documentário fotográfico. No dia de minha chegada houve uma reunião em que ficou decidido que o curso seria adiado em dois dias e no final daquele dia recebi o convite de Martin Wartchow, que conheci dois anos antes na Amazônia. Ele estava no aeroporto para receber sua esposa (médica) que fazia parte da missão. Ele é engenheiro sanitário e foi como voluntário para o país em 2010, logo após o terremoto”, explica ao relatar que o projeto surgiu ao natural.

Representatividade

Questionado sobre a imagem que melhor representa a exposição, Radilson destaca a fotografia das moças em perfil e as meninas da escola correndo em direção à luz. “Como se buscassem conhecimento, energia e sabedoria. Mexe bastante comigo”, conta ao destacar que o Haiti foi por muitos anos conhecido como a Pérola das Antilhas, um país próspero que teve o protagonismo de ser o primeiro do mundo a abolir a escravidão e o segundo país das Américas a conquistar a sua independência em 1804. “Mas desde então foi retaliado, isolado e vítima de várias tragédias sociais, políticas e também naturais.

Curadoria 

Escolher as imagens para compor uma exposição não é tarefa fácil. Para realizar o trabalho, Radilson convidou o fotógrafo e poeta André Ricardo Souza, especialista em artes visuais e pesquisador de processos artísticos contemporâneos. “Mas gostaria de ressaltar que o apoio da equipe da Fundação Cultural Badesc foi fundamental”, diz.

Sobre o fotógrafo

www.radilsongomes.com.br

 

Serviço

O quê: abertura da exposição Bombagai – Haiti, de Radilson Carlos Gomes

Quando: 14 de maio, quinta-feira, às 19h

Visitação: até 12 de junho, de segunda a sexta-feira, das 12 às 19h

Onde: Espaço 2 da Fundação Cultural Badesc – Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis – Fone 3224-8846

Entrada gratuita

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