Juliana Crispe - Entre margens imprecisas

IRRUPÇÃO GEOGRÁFICA: TRANSBORDAMENTOS POSSÍVEIS

ANA SABIÁ • CLAUDIA ZIMMER • DANIELE ZACARÃO • ELIANA BORGES • FABÍOLA SCARANTO • FRAN FAVERO • HELENE SACCO • HÉLIO FERVENZA • JULIANA CRISPE • JULIANA HOFFMANN • MARIA IVONE DOS SANTOS • RAQUEL STOLF • SANDRA FAVERO

CURADORIA DE CLAUDIA ZIMMER E JULIANA CRISPE

ESPAÇO FERNANDO BECK | 10 DE AGOSTO A 13 DE SETEMBRO DE 2018

Com a curadoria de Claudia Zimmer e Juliana Crispe, a coletiva reúne obras de 13 artistas com diferentes linguagens: fotografia, objeto, vídeo, instalação e colagem - para promover discussões a partir de mapeamentos literais ou imaginários a que os indivíduos são submetidos e que por muitas vezes são provocados por eles mesmos.

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APRESENTAÇÃO

Odisséia mínima até lugar nenhum (detalhe), Helene Sacco, 2013. Vitrine em madeira com imagens e objetos, 90x60cm.

À certa altura da navegação, deparamo-nos com caminhos bifurcados. Nessas situações, por vezes precisamos levantar os olhos, estudar a carta celeste e encontrar múltiplas direções. Em meio a movimentos desordenadamente provocados por nós mesmos, criamos formas de habitar o mundo, buscando mobilidades de fronteiras que se afastam sobremaneira da fixidez da cartografia científica. Entre coletores, cartógrafos, outras paisagens e outros territórios, inventamos o pretexto da viagem à procura de uma nova geografia.
Determinadamente imprecisa, essa exposição apresenta trabalhos onde o contingencial é a palavra de ordem. Sob múltiplas cartografias, irrompem intersecções, entroncamentos, contornos, triangulações, giros e desaguamentos possíveis.

Claudia Zimmer e Juliana Crispe | Curadoria

Vigília de uma noite de inverno (da série Panorâmicas do Desejo), Ana Sabiá, 2016.

ANA SABIÁ
Vigília de uma noite de inverno (da série: Panorâmicas do Desejo)
Fotografia digital - Impressão com pigmento mineral em papel Matt Fibre Hahnemuhle s/ PVC
250x25cm.
2016

Panorâmicas do Desejo é uma série que propõe dialogar imagens reais e construções oníricas. As quatro estações do ano constituem-se no mote das intervenções imagéticas: no Inverno, um descuido entre a realidade e a vigília nos convida a percorrer um horizonte acidentado em montanha fantasiosa que deixa entrever cavernas escuras, morada dos nossos ancestrais.

Marcar o dia com pedra branca Marcar a noite com pedra preta, Clauda Zimmer, 2017. Objeto, dimensões variadas.

CLAUDIA ZIMMER
MARCAR O DIA COM PEDRA BRANCA | MARCAR A NOITE COM PEDRA PRETA
2 globos banhados a ouro com pedras: Pedra da Lua e Ônix, respectivamente.
Altura: 6,5cm. Base: 3,5cm
2 plaquinhas banhadas a ouro e gravadas com o título do trabalho
2017

MARCAR O DIA COM PEDRA BRANCA | MARCAR A NOITE COM PEDRA PRETA, surgiu ao encontrar a frase em latim ALBO LAPILLO NOTARE DIEM, cuja tradução é MARCAR O DIA COM PEDRA BRANCA e significa algo como «ser feliz durante o dia». Por isso, por que não ser igualmente feliz durante a noite? O interesse por frases em latim tem relação com o peso da língua na origem de várias outras, isto é, com o peso desta na cultura, bem como o peso e tempo de existência das pedras, ainda que se dê de forma simbólica.

Sem título, Daniele Zacarão, 2017. Fotomontagem, Impressão Fine Art sobre PVC, 110x36cm.

DANIELE ZACARÃO
Sem título
fotomontagem
Impressão fine art em papel algodão s/ PVC
120 x 40 cm
2017

Fotomontagem a partir de uma imagem encontrada no acervo do Arquivo Histórico Municipal Pedro Milanez, de Criciúma/SC. A fotografia
original de 1983, apresenta um depósito de pirita próximo ao atual aeroporto Diomício Freitas, sendo manipulada digitalmente, a imagem é
ampliada, construindo assim um panorama. Tais paisagens avermelhadas foram comuns nos arredores da cidade de Criciúma, durante o auge da
indústria carbonífera, essa coloração é resultado do processo químico dos rejeitos da extração do carvão.

Exposição Irrupção Geográfica (7)

ELIANA BORGES
CARTO+GRAFIAs
7 cartazes impressos em Fine Arte s/ PVC
42 x 29,7 cm (cada fotografia)
2017

CARTO+GRAFIAs é uma pesquisa na qual as memórias estão registradas em mapeamentos variados, somando-se ao princípio existente na medicina chinesa (mapeamento do corpo humano, localizando pontos essenciais que estimulados com agulhas de aço inox levam à melhora do funcionamento de determinados órgãos), que leva equilíbrio ao corpo como um todo. Sintonizada com esse pensamento milenar, procuro agregar a ideia do estímulo da memória e do equilíbrio hipotético dos corpos representados nesse trabalho, partindo do corpo humano para as várias imagens impressas (vários mapas) que representam os vários “corpos“.

Ensaio sobre a poeira I, Fabíola Scaranto, 2014. Vídeo, 45seg (frame)

FABÍOLA SCARANTO
Ensaio sobre a poeira I e II
Vídeo
45 seg. (cada vídeo)
2014

Dois vídeos que registram a ação de suspender a poeira do chão em diferentes situações.

Inundação, Fran Favero, 2015. Vídeo, 04min29 seg (frame).

FRAN FAVERO
Inundação
Vídeo
04 min 29 seg.
2015

Um imenso território na fronteira entre Brasil e Paraguai foi impactado pela inundação resultante da construção da hidréletrica de Itaipu, nos anos 1980, que entre tantas consequências ambientais e sociais, silenciou os Saltos de Sete Quedas, um som considerado sagrado para as comunidades guaranis locais. No vídeo, a água se impõe como força arrebatadora e silenciadora.

Odisséia mínima até lugar nenhum, Helene Sacco, 2013. Vitrine em madeira com imagens e objetos, 90x60cm.

HELENE SACCO
Odisséia mínima até Lugar Nenhum
Vitrine em madeira com imagens e objetos
60 x 90 cm
2013

Vitrine com imagens, mapas constelares, fotografias, miniaturas de objetos e bibelôs de pássaros de porcelana criam uma abertura para a história da viagem até Lugar Nenhum passando pelos cinco continentes, um caminho realizado pelo interior de ilustrações taxonômicas retiradas de uma antiga enciclopédia.

Exposição Irrupção Geográfica (19)

HÉLIO FERVENZA
ruaquintal
7 mapas impressos em Fine Art s/ PVC
60x75 cm (cada mapa)
2005-2016

Sete mapas impressos, realizados a partir de uma página do guia de ruas de Porto Alegre, que mostrava a cartografia da área na qual se encontra a casa onde vivo. Cada um dos mapas recebeu um tratamento digital que apagava parcialmente partes da página e, ao mesmo tempo, incluía e indicava uma árvore frutífera situada na calçada. Dentre essas árvores estão espécies nativas como a jabuticabeira e a cerejeira-do-mato, mas também árvores originárias de países situados do outro lado do mundo, como o jambolão, da Índia, por exemplo.

Entre margens imprecisas, Juliana Crispe, 2015. Fotomontagem, Impressão em fine Art sobre Canvas, 94,5x64,5cm.
Carte du pays de tendre - Mapa do país do afeto, Juliana Crispe, 2018. Fotomontagem, Impressão em Fine Art sobre Canvas, 42x29,7

JULIANA CRISPE
Entre margens imprecisas
fotomontagem
Impressão em Fine Art s/ PVC
100 x 66 cm
2015

O trabalho Entre margens imprecisas é composto pela sobreposição de uma fotografia realizada pela artista, que sinaliza pescadores na praia de Cacupé olhando a ponte Hercílio Luz. Ao fundo desta imagem encontra-se uma litografia intitulada Nova Babilônia, realizada em 1963 por Constant, arquiteto que compunha o grupo Internacional Situacionista. Neste trabalho, os movimentos corporais dos navegantes anunciam que a tal terra prometida não passa de um fracasso, que a modernidade parece andar a passos lentos. Sobre a Nova Babilônia, Constant especula: “As pessoas vagam por entre os setores da Nova Babilônia procurando novas experiências, ambientes até então desconhecidos. Sem a passividade dos turistas, mas plenamente conscientes do poder que possuem para agir de acordo com o mundo, de transformá-lo e recriá-lo. Eles dispõem de um completo arsenal de instrumentos técnicos para fazê-lo, graças aos quais eles podem promover, sem demora, as mudanças desejadas." (Constant, 1974). Assim compreendemos que Nova Babilônia não passou e não passa de utopia, a mesma que motiva os navegantes a irem ao encontro do que desejam.

Carte Du Pays de Tendre – Mapa do País do Afeto
Fotomontagem
Impressão em Fine Art s/ Canvas
42 x 29,7 cm
2018

Fotografia sobre mapa de 1656, advindo da gravura em metal atribuída a François Chauveau, cuja representação topográfica e alegórica é inspirada na história da heroína romana Clélie, contada por Madeleine de Scudéry (1607-1701), Internacional Situacionista.

Por tudo, Juliana Hoffmann, 2018. Colagem de lascas de tinta sobre tela, 140 x110cm.

JULIANA HOFFMANN
Por tudo
Colagem de lascas de tinta sobre tela
140 x110 cm
2018

Colando lascas de tinta, retiradas de paredes deterioradas, recrio uma nova paisagem. A configuração destas novas paisagens, esteticamente, se assemelham a mapas.

Exposição Irrupção Geográfica (10)

MARIA IVONE DOS SANTOS
3 peças gráficas impressas em offset
50 x 50 cm (cada peça)
2004-2009

"As Extensões do Contato, enquanto edição, colocam-nos diante de problemas relacionados à recepção. Tal qual ocorre com um livro, a publicação por si só passa a ser um tipo de espaço relacional e aberto pela leitura à interpretação. As extensões do Contato talvez busquem acentuar estes outros modos de compartilhamento da experiência da arte. O mapa e o texto se comportando como rotas de fuga para além da previsibilidade expositiva única, podendo ser consultados sobre uma mesa. Como cada um lerá essa proposta? A que experiências ela nos reenviam?" Texto: DOS SANTOS, Maria Ivone. Situações de leitura na arte contemporânea: práticas no trânsito entre o visível e o legível e algumas considerações expositivas. Revista Palíndromo: Florianópolis, n.2. p. 159-200, 2009.

Mar paradoxo, Raquel Stolf, 2013-2016. Publicação Sonora, 100 silêncios costeiros + 100 silêncios empilhados.

RAQUEL STOLF
mar paradoxo
Publicação sonora (100 silêncios costeiros + 100 silêncios empilhados): 2 CDs de áudio com material impresso
Concepção: Raquel Stolf; Projeto gráfico: Raquel Stolf e Anna Stolf; Gravação e edição: Raquel Stolf
Apoio (pesca de silêncios): Helder Martinovsky; Masterização: Luiz Roque Bezerra
Duração: 101 minutos; Tipografia: oxygen, glacial indifference, 20 db
Edição: céu da boca e editora Nave; Tiragem: 500
2013-2016

Proposta de escuta da publicação sonora mar paradoxo, que é composta por material impresso e por 2 CDs de áudio, sendo desenvolvida entre 2013 e 2016. A publicação compila e empilha “silêncios costeiros” que circundam a ilha de Santa Catarina, de trechos de 100 fundos do mar, com profundidade de até 14 metros, acompanhados por indicações de tipologias, por notas-desenhos de/para escuta e outros materiais. A construção da publicação envolve investigações sobre o silêncio enquanto rumor incessante, propondo-se também a construção de tipologias ficcionais de fundos do mar. O trabalho teve apoio do Prêmio Catarinense de Bolsas de Trabalho – Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – 2014.

Arqueologicamente contemporânea - a escória da ferrugem, Sandra Favero, 2018. Objeto, 48x44,5x10cm cada caixa.

SANDRA FAVERO
Arqueologicamente contemporânea – A escória da ferrugem
Objeto: 2 caixas/gavetas e madeira, tampinhas de garrafa enferrujadas, feltro, areia fina de praia
48 x 44,5 x 10 cm (cada caixa)
2018

Este trabalho é o mais novo integrante da série Arqueologicamente contemporânea. O subtítulo - A escória da ferrugem -,eu escolhi a partir de um texto de Robert Smithson onde se lê também, “a ferrugem evoca um medo de desuso, inatividade, entropia e ruína”. Identifiquei-me com a escrita dele e tomei a frase para o subtítulo. Os pequenos objetos, tampinhas de garrafas enferrujadas, foram selecionados entre muitos para compor uma das gavetas, como fossem preciosidades de uma coleção. Em cada caminhada que faço no Pontal da Daniela em Florianópolis, me deparo com essas tampinhas, como fossem conchinhas na borda de areia. E sempre me vem à mente o lugar, por isso a areia em uma das gavetas, que deveria ser preservado como um estuário, a relação com as conchas e caramujos, o descontrole do consumo, e, a degradação do meio ambiente. Por trás de uma tampinha enferrujada está ação de uma pessoa. Somado a esta questão, temos o olhar artístico treinado para aquilo que esteticamente é atrativo, as formas que vão se constituindo enquanto cada tampinha de metal e plástico está exposta à água do mar, ao movimento das marés, ao ar, a areia, ao tempo e a todos os elementos próprios ou não da natureza ali presentes. Cada pequeno objeto carrega uma singularidade formal, seja na cor, no volume ou nas linhas e texturas. Eles juntos compõem um arquivo de memórias para uma arqueologia contemporânea.

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