18 10 25 JOSÉ MARIA DIAS DA CRUZ PENSAMENTO PICTÓRICO - exposição (6)

JOSÉ MARIA DIAS DA CRUZ : PENSAMENTO PICTÓRICO

JOSÉ MARIA DIAS DA CRUZ

CURADORIA DE ROSÂNGELA CHEREM

ESPAÇO FERNADO BECK | 25 DE OUTUBRO DE 2018 A 23 DE NOVEMBRO DE 2018

Pinturas, desenhos, montagens textuais e três objetos somam as 70 obras que compõem a exposição. As obras selecionadas enfatizam duas questões centrais no trabalho do artista: cor e espaço. Para ele, a lógica do colorido é como uma forma de conhecimento, que só existe porque há uma pintura que se pensa através da cor, sendo que as formas estão a ela subordinadas. Outros quatro artistas que pesquisam e produzem sobre o tema foram convidados a expor uma obra em diálogo com o pensamento de José Maria: Antonio Vargas, Fernando Albalustro, Jociele Lampert e Silvana Macedo. José Maria Dias da Cruz é carioca, reside e trabalha em Florianópolis. Além de artista, é professor e autor de livros sobre cor e espaço pictórico.

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APRESENTAÇÃO

José Maria Dias da Cruz (Rio de Janeiro, RJ, 1935/ vive e trabalha em Florianópolis) é artista, professor e autor de livros sobre cor e espaço pictórico. Sua questão principal, tanto em termos conceituais, como de procedimento e fatura, tem a ver com a lógica do colorido. Para ele, pensar e pintar são sinônimos, mas trata-se de um pensamento que só existe porque há uma pintura que se pensa através da cor e as formas estão a ela subordinadas.

Desde que decidiu tornar-se pintor em meados do século XX, seu entendimento foi amadurecendo, no sentido de que a cor é para ser pensada e o pigmento é para ser usado, sendo que estes dois aspectos, simultaneamente, lhe permitiram tanto explorar as possibilidades da visão no ambiente pictórico, como criar na tela um espaço plástico capaz de ultrapassar sua estrutura subjacente.

Tal entendimento inclui interlocuções que vão desde Leonardo da Vinci- o qual pintou as possibilidades de alcance do olho em relação aos corpos dispostos espacialmente, obtidas por meio de modulação (rompimento de tom) e modelação (nuances de cor)- até Cezanne, para quem só se pinta uma fração do espaço, além de Braque, para quem o espaço plástico é, sobretudo, pictórico. Seu complexo processo de compreensão espacial passa, ainda, pelas cores em movimento e ritmo que engendraram o esquema multifocal em Degas, bem como em Guignard, cuja visão cromática, em clave mais oriental e sincrética, se contrapõe à visão monocular, mais ocidental e analítica. O leque é amplo, para cada artista um esforço aguçado da reflexão e do olhar: Poussin, Rubens, Rembrandt se alinham com Paul Klee e Rothko, também Joseph Albers, Kandisnky e Paul Klee, dentre outras grandes referências.

Observando o repertório pictórico destes artistas desde muito jovem, não através de reproduções impressas e sim por meio de contato frente a frente com os quadros, chegou a importantes conceitos abordados e desdobrados de modo bastante singular. Isto pode ser observado, desde as frutas e letras, os bules, peões e cachimbos pintados nas naturezas-mortas dos anos 60, a que denominou Formulários, até figuração das bandeiras, além dos círculos coloridos e flutuantes, inseridos em suas pinturas como ícones das Marias- sem- vergonha. Assim, a questão do campo de luz e da riqueza cromática aparece nas telas como um campo vibratório da percepção. A cada vez, surge como um fato plástico, ainda que na contramão do concretismo e neo-concretismo, ensejados naqueles mesmos anos. Ao longo das últimas décadas, foi, cada vez mais, aprimorando sua relação com uma geometria não euclidiana, mais próxima, por exemplo, dos fractais e de outras topologias, aprofundando em suas telas o que chama uma geometria das cores, cujos coloridos não são meras manchas, mas se afirmam como áreas definidas.

Nesta exposição o artista apresenta mais de quarenta e cinco pinturas e de vinte e cinco trabalhos que incluem desenhos e montagens textuais, a que denomina de assemblages, bem como dois tubos que se assemelham a caleidoscópios para serem vistos por fora, além de uma espécie de livro didático inconsúltil e uma espécie de pintura- objeto sobre madeira.  Convém destacar ainda que, para que seja possível reconhecer a trajetória pictórica, estão documentadas em vídeo algumas das principais obras realizadas ao longo das décadas. A seu convite, também comparecem quatro pintores, cujas obras permitem perceber uma interlocução, seja por afinidade, seja por contraponto em relação aos seus conceitos e noções operatórias: Antonio Vargas, Fernando Albalustro, Jociele Lampert e Silvana Macedo. O artista também selecionou alguns trabalhos de seus alunos atuais, onde se pode reconhecer, numa das mesas expositivas, o alcance de seus ensinamentos como professor de pintura.

Natureza morta, 1979 óleo sobre tela 40 x 63 cm

José Maria Dias da Cruz tinha quatorze anos quando começou a estudar pintura com Jan Zach e desenho com Aldary Toledo, pouco mais de vinte anos quando foi estudar pintura em Paris. Os anos 50 e 60 marcam a fase inicial de sua formação, quando entrou em contato com a pintura do começo do século XX.

Trabalhando num escritório, em 1968 deu início a uma série de trabalhos que ficaram conhecidos como Formulários. Desviando-se das banalidades protocolares e das grafias meramente burocráticas de sua função, processou o suporte das fichas impressas em que apenas preenchia as prescrições do ambiente profissional, considerando a tela como um campo onde incidiam as releituras cubistas, as figurações geométricas e abstratas, as questões da arte conceitual e pop. Nasciam suas primeiras naturezas- mortas como modo de processar o espaço imediato, ao mesmo tempo em que engendrava suas primeiras preocupações e interesses acerca do colorido na pintura, formulando gradativamente um entendimento sobre a cor abstrata (a que existe na lembrança e no pensamento, é substantiva) e a cor concreta (a que existe no mundo real, é adjetiva).

Em 1986, combinando as lições de diferentes repertórios artísticos, sobretudo as releituras de Cezanne e Braque, com as abordagens desdobradas da abstração geométrica, aprofundou um entendimento sobre a cor cinza, compreendendo a dissolução da cor dentro de suas possibilidades de estudo e processo. De um lado, reconhecia o cinza onipresente, o qual, segundo o artista nos é interditado, pois está no colorido do mundo e não é alcançável porque seria preciso ver todos os coloridos de todos os lugares, sendo que nossos olhos só alcançam uma parte disso. De outro lado, dava a luz ao conceito de Cinza Sempiterno, ponto que se manifesta no intervalo entre as cores, de onde partem e para onde confluem as cores. Definido como o que não tem começo nem fim, seria um não espaço e um não tempo; uma potência, um feixe de possibilidades suspensas. Para José Maria trata-se de transportar para a tela um fenômeno que acontece no olho, dentro do que se poderia chamar de pré e pós- fenômeno, simultaneamente.

Explorando o uso da textura para mostrar a dimensão temporal contida na pintura, nos anos 90 a escala de cores passou a fazer parte literalmente de suas telas. Explicitando a desnaturalização da cor, seu papel parece ser o de servir como uma espécie de gráfico pictórico, cujas possibilidades cromáticas são desenvolvidas especificamente para aquela tela em que o infográfico é apresentado. Assim, o artista trata este recurso menos como uma legenda ou esboço e mais como uma espécie de partitura que permite entender de onde vem a lógica do colorido que apresenta em cada quadro. Decorre daí a presença do rompimento de tom, entendido não por meio do círculo de cores e sim pelos diagramas que abrem as possibilidades cromáticas. Ou seja, não mais as misturas pigmentares, tal como apareciam no círculo de cores de Newton ou Goethe, mas a sobreposição da pós-imagem, onde a ênfase não está na mera percepção, mas num saber do olho acerca da apreensão do colorido. Enfatizando, concomitantemente, o processo, tal como um professor que destaca e chama atenção para determinados aspectos de seu raciocínio, e o registro, tal como um bailarino autoconfiante que não teme mostrar de onde provêm seus passos, acaba chegando à questão do desenho pictórico. Eis o caráter, ao mesmo tempo, indiciário e analítico, através do qual os infográficos de José Maria aproximam-se das notações pictóricas, distanciando-se do debate entre desenhistas e coloristas.

Nos anos 2000 o artista chega ao que chama de Assemblage, denominação dada pelo poeta Armando Freitas Filho para um processo de justaposição entre textos escritos e imagéticos, espécie de conteúdo reflexivo autonomizado, bem como recurso sobre o pensamento pictórico que transborda e realimenta a criação ou formulação de um repertório onde confluem o intelectivo e o poético. Distante dos registros sob forma de esboços ou estudos sobre papel, estes trabalhos também não se constituem como um tipo de livro de artista. Tampouco se aproximam dos três livros que o artista escreveu, onde apresenta um repertório mais conceitual e teórico, dotado de um caráter mais normativo sobre seus interesses e abordagens pictóricas. No lance em que, de um lado, operam a concisão e a síntese e, de outro, o inacabado e o incompleto, o que se apresenta é uma espécie de constelação, onde fragmentos de artistas, poetas e filósofos se justapõem e articulam, permitindo reunir razão e emoção através de um estado poético, repleto de diferentes distâncias temporais e consistências reflexivas.

Signo gráfico assumido como obra, campo para onde confluem as reverberações caras ao artista desde muito jovem, ao autor de livros e ao professor de pintura, eis a recorrência das notações pictóricas que se colocam no mundo sob forma de obra, embora, neste caso, não como uma tela com infográficos, mas como escritos modulares e demonstrativos. Dizendo de outro modo, combinação entre obra e ferramenta didática, as assemblages também podem ser alcançadas como materialização das concomitâncias e persistências, recorrências e derivações daquilo que constitui as bases do seu repertório, construído e consolidado ao longo de sua trajetória artística.

Privilegiando nas pinturas, seja com tinta óleo ou acrílica sobre tela, uma dimensão que não ultrapassa 80 x 100 cm, frequentemente, suas diferentes geometrias coloridas se fazem acompanhar por faixas e planos, marcados por bordas com proporções e contornos variáveis. Bem recentemente, o artista também passou a realizar desenhos, os quais são do mesmo tamanho das assemblages, ou seja, A4. Neste ponto, em depoimento para esta curadoria o autor reflete do alto dos seus oitenta e três anos: ainda preciso amadurecer todos os meus conceitos, pintar e desenhar mais... sinto que preciso desenvolver e aprofundar os conceitos a que cheguei, tenho ainda muita curiosidade e coisas a compreender...

Rosângela Cherem | Curadora

Sem título (detalhe), 2017 óleo sobre tela 60 x 70 cm coleção Maria Clara Dias da Cruz

PENSAMENTO PICTÓRICO: EXPOSIÇÃO

A trajetória artística de José Maria Dias das Cruz (Rio de Janeiro, 08/09/1935) lhe confere um lugar relevante na arte nacional. Aos 83 anos, em plena atividade profissional, o artista recebeu em Florianópolis uma homenagem em forma de retrospectiva. A cidade pela qual passou diversas vezes, foi a que escolheu para produzir em idade madura, para começar uma nova relação amorosa aos 80 e tantos anos, para ensinar e para dialogar com um grande número de artistas, de todas as idades.

Na Fundação Cultural Badesc (FCBadesc), onde já havia participado de exposição coletiva1, feiras de artes e conversas diversas, o artista foi especialmente convidado para revisitar sua produção, falar sobre suas aulas e teorias e receber de um grupo de pesquisadores uma maior atenção considerando a questão sobre a qual mergulhou como teórico, como professor e como pintor: a cor.

A exposição José Maria Dias das Cruz, Pensamento Pictórico, contou com a pesquisa e curadoria de Rosângela Cherem e foi aberta em 25 de outubro de 2018, oportunizando ao público conhecer mais de 70 obras, entre pinturas, desenhos e montagens textuais, além de objetos e um video com imagens de 380 obras adicionais. Trata-se de uma expressiva produção que atravessa oito décadas, incluindo a obra Cenário de 1948 e o díptico sem título de 1998, pertencentes ao acervo do Museu de Artes de Santa Catarina (MASC). Diversos colecionadores particulares de Florianópolis e do Rio de Janeiro também cederam suas obras.

Cenário de 1948 e a relação do artista com Florianópolis

Cénario (1948, acervo do MASC) é a obra mais antiga de José Maria, feita quando era um adolescente de 13 anos. A obra foi trazida do Rio de Janeiro para Florianópolis por seu pai, Edy Dias da Cruz, conhecido como Marques Rebelo2, como representação juvenil da histórica Exposição de Arte Contemporânea que este organizou em 1948 no Grupo Escolar Dias Velho (posterior Escola Antonieta de Barros). A exposição, juntamente com conferências polêmicas para a época, foi a semente da criação, um ano depois, do Museu de Arte Moderna de Florianópolis - MAMF, atual Museu de Arte de Santa Catarina - MASC. Cenário figurou ao lado de mais 70 obras de importantes artistas brasileiros e internacionais e inaugurou o acervo deste que viria a ser um dos mais importantes museus de arte do Brasil. Foi neste cenário rodeado por intelectuais e artistas que José Maria cresceu e aos 20 anos já estudava pintura em Paris, com bolsa recebida pelo Ministério das Relações Exteriores e Carte de Étudiant Patronné do Ministère de L’Education Nationale do governo francês. Essa proximidade com a produção internacional reverbera em sua própria produção.

A primeira vez que o José Maria esteve em Florianópolis foi no início dos anos 80 (apenas sua obra tinha vindo em 1948) em uma situação, no mínimo, intrigante. O artista conta que morava no Rio quando recebeu um telefonema lhe informando que havia recebido uma passagem para Florianópolis com direito a hospedagem, a qual estava à disposição em uma agência de viagem. Mesmo sem entender muito bem qual era o propósito do convite, decidiu aceitá-lo. Ao chegar no aeroporto, ainda no Rio de Janeiro, encontrou outros intelectuais conhecidos que haviam recebido o mesmo convite.  Entre eles, cita Cícero Sandroni, Fausto Cunha e Flávio de Aquino3. Instalados em Florianópolis para uma estada de duas semanas, não conseguiram descobrir quem os havia convidado e arcado com a viagem, nem o porquê do convite. Entraram em contato com Salim Miguel e Eglê Malheiros4, amigos locais, esperando desvendar o mistério. O grupo passeou durante duas semanas por Florianópolis sem, no entanto, conseguir esclarecer a origem do convite, o qual permanece um mistério até os dias atuais.

O artista retornou a Florianópolis em 1998, convidado pelo MASC para a individual José Maria Dias da Cruz, apresentada por Salim Miguel e comemorativa aos 50 anos de história do Museu. Um díptico  foi apresentado nessa exposição e foi doado ao MASC, integrando também a exposição de 2018 na FCBadesc. Em 2008 José Maria se muda definitivamente para Florianópolis, para ficar mais próximo de sua filha que já morava na cidade desde 1991.

notas
1 Coradjetiva foi uma exposição selecionada pelo Edital 2014 da Fundação Cultural Badesc que apresentou, entre 29 de maio e 18 de junho de 2014, trabalhos de três artistas que têm a cor como exercício de construção plástica: José Maria, Flávia Tronca e Laura Villarosa. Os três artistas constam do acervo e do catálogo da FCBadesc.
2 Marques Rebelo é o pseudônimo literário de Eddy Dias da Cruz (Rio de Janeiro, 1907-1973), além de grande escritor, foi um intelectual que se filiou a tradição modernista, produzindo textos,  fundando vários museus e divulgando a obra de artistas brasileiros no exterior. Mantinha forte ligação com os escritores catarinenses participando e divulgando a Revista editada pelo Grupo Sul.
3 Cícero Sandroni (São Paulo,1935) jornalista, escritor, membro da Academia Brasileira de Letras. Fausto Cunha (1928-2004), crítico literário. Flávio de Aquino (Florianópolis, 1919-Rio de janeiro 1987), jornalista e crítico de artes.
4 Salim Miguel e Eglê Malheiros (ele Líbano, 1924-Brasília, 2016; ela Tubarão, 1928), casal de escritores catarinenses, fundadores do movimento Grupo Sul, que revolucionou a pensamento artístico no Estado. Com intenso contato com Marques Rebelo, figuravam entre os escritores intelectuais envolvidos com a organização da histórica Exposição de Arte Contemporânea de 1948.

Sem título, 1986 óleo sobre tela colada em compensado 50 cm de diâmetro

Como preparação à exposição de 2018, a Fundação Cultural Badesc e os organizadores criaram um ciclo de estudos sobre José Maria ao longo do primeiro semestre e convidaram quatro artistas, que têm na cor parte relevante de suas pesquisas, para uma interlocução com o homenageado. Integraram o projeto Antônio Vargas, Fernando Albalustro, Jociele Lampert e Silvana Macedo, que, além de apresentarem seus olhares sobre o artista e suas falas sobre a questão da cor, também contribuíram com a exposição apresentando cada um uma obra em contraponto ao artista homenageado.

Antônio Vargas trouxe para a exposição quatro cadernos de artista, intitulados Cadernos Obscuros, contendo desenhos, textos, pinturas e colagem de objetos em que usou lápis, nankin, aquarela, guache e materiais diversos, como cordas, botões, telas etc. Os trabalhos foram realizados entre 1998 e 2003 reunindo anotações imagéticas que são, nas palavras do artista, resultados de reflexões pessoais e confessionais junto a desenhos e pinturas compondo um conjunto no qual a linguagem escrita, gráfica e pictórica se integram numa única imagem em cada página. Seus cadernos não focam necessariamente na questão da cor, mas estabelecem relação com a obra do homenageado enquanto processo, ou seja, oferecendo outras formas de pesquisar e anotar.  Fernando Albalustro apresentou a obra Cinzas Coloridos, da série Não é Branco. Seu processo parte da acumulação de imagens midiáticas ressignificadas, apropriadas de material gráfico como revistas, compostas de uma única característica de cor, como por exemplo, vermelhos, azuis, violetas, brancos, pretos, cinzas etc. Fundamenta-se nos conceitos de cor-luz e das dimensionalidades das cores - matiz, croma e valor, como parâmetros para investigar os processos de gradações das nuanças. Persegue questões como os limites de extensão de uma cor. A obra de Jociele Lampert Ao mestre com carinho é uma monotipia da série Solaris que preparou para a exposição. Sua pintura se apropria de uma imagem do filme Solaris, do cineasta russo Andrei Tarkovski tratando conceitos como solidão e reflexão do homem frente ao mundo. Silvana Macedo busca estabelecer certa proximidade com José Maria produzindo especialmente para a mostra uma pintura intitulada Sempreterno, que consiste numa liberdade poética ao conceito de Cinza Sempterno, tema central das abordagens teóricas do homenageado.

Enfatizado a coesão entre o artista, o teórico e o professor, a expografia também contou com as publicações sobre os estudos da cor de José Maria ao lado de trabalhos de nove dos seus alunos: Helena Maria Werner, Iara Bertani, Maria Esmenia Ribeiro Gonçalves, Zulma Borges, Paula Souza Campos, Marina Bott Gonçalves, Mariângela Marinho, Henrique Vasconcelos da Silva, Kelly Kreis Taglieber. José Maria é professor de pintura, tendo atuado em muitos espaços importantes, entre eles o  Museu de Arte Moderna do Rio (1983-1986) e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage/Rio (1987 a 1999, 2003 a 2007 e 2013). A relevância de suas atividades didáticas repercutem nas suas inquietações investigativas enquanto teórico e artista em um processo de mão dupla. As experiências são compartilhadas com seus alunos, que são motivados a refazer pequenos trechos do caminho do mestre.

Uma imagem forte que a FCBadesc guardará é a do carisma que José Maria exerce sobre aqueles que foram ou são seus alunos. Alguns depoimentos que cercaram as conversas preparatórias para a exposição foram singulares, associando o professor com um visionário, um mentor, como se o exercício de explorar empiricamente a física da cor evidenciasse uma experiência transcendental. Testemunhos peculiares porque compartilhados tanto por pesquisadores quanto por jovens artistas seduzidos em vivenciar a investigação criativa.

Por fim, a exposição reverberou na edição e publicação de um catálogo organizado por Rosângela Cherem e Eneléo Alcides que reune dez artigos sobre José Maria Dias da Cruz.  O catálogo homônimo da exposição está disponível ao clicar na imagem abaixo.

Eneléo Alcides | Diretor Geral da Fundação Cultural Badesc

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