partituras

PARTITURAS

MARCELINO PEIXOTO E LUIS ARNALDO

ESPAÇO FERNANDO BECK | 20 DE OUTUBRO A 24 DE NOVEMBRO DE 2016

Fusão entre desenho e ação, executada a quatro mãos ao longo de 12 sessões de 2 a 3 horas cada, a série acompanha um vídeo-performance preparado para ouvir o ato de desenhar. Marcelino Peixoto é formado em Pintura e mestre em Artes Visuais. Professor de Desenho do curso de Artes Plásticas da Escola Guignard e integrante do coletivo Xepa. Luis Arnaldo é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela universidade Federal de Minas Gerais e em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Ambos atuam em Belo Horizonte/MG.

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APRESENTAÇÃO

Desenho de Tempo #2, 2h00’, 2015. Desenho, lápis grafite sobre papel. 100x150cm. Fonte: Luis Arnaldo e Marcelino Peixoto.

Desenhos são fatos documentais. Diante deles somos convocados a refazer os atos do desenhista, em gestos e intensidades, tornando presente, então, o corpo, o tempo e a matéria necessários à sua construção. Trata-se de uma espécie de carta com andamento, que por localizar as ações no tempo constitui-se de um espaço.
Os suportes dos desenhos que compõem a exposição podem, por exemplo, apresentar as sujidades das mãos e braços impregnados de pó de grafite que sobre eles se arrastaram; ou as linhas que servem a delimitação das manchas tonais; ou mesmo a mancha monotonal que, solta no branco do papel, sem seus pares, nada representa. Em todos estes delitos o que vemos são restos. Algo que se mostra responsável por evidenciar um evento passado.
Parece inevitável então pensarmos em cada desenho como um Acontecimento: um encadeamento de ações, uma única ação repentina, ou mesmo uma ação que se arrasta indeterminadamente. Nele, cada novo ato resulta em um novo resíduo que cumpre o papel de rearranjar o espaço, conferindo-lhe especificidade de lugar.
Cada um dos desenhos que compõem a série Desenho de tempo foi executado a quatro mãos numa sessão de trabalho, com durações pré-determinadas. A demarcação temporal de cada sessão e sua súbita interrupção são responsáveis por deixá-los inacabados. O que, se por um lado, aponta para um esfacelamento da representação, por outro permite a visualização de tudo aquilo que serviu à construção da imagem, contribuindo à restituição do Acontecimento.
Em Pequenas audições, restituir os atos, reencená-los, é um modo de tornar presente aquilo que é latente em um desenho. É, num primeiro passo e no mínimo, contemplar a importância do Acontecimento para a construção de um lugar, e de sua condição de existência para o Desenho.

Marcelino Peixoto e Luis Arnaldo.

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