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PEDRA-CARNE

MEG TOMIO ROUSSENQ

CURADORIA DE ANNA MORAES E RAFAELA MARIA MARTINS

ESPAÇO FERNANDO BECK | 13 DE JULHO A 01 DE OUTUBRO DE 2021

A mostra é composta por cerca de 20 obras e séries, divididas em quatro temas curatoriais: Pedra, Carne, Carnificina e Florescer. Enquanto um recorte dos últimos 10 anos de produção da artista catarinense, os trabalhos dialogam com a ideia de pedra e carne. Meg Tomio Roussen é artista visual nascida em Rio do Sul/SC. Sua formação é em Comunicação Social/Jornalismo pela PUC/RS, especializando-se em pintura mural e afresco em Mezzolombardo, Itália. Possui mestrado em Poéticas Visuais na linha de processos de criação PPGAV– UFRGS, atuando há 22 como professora de artes, em Santa Catarina. Vive e trabalha em Florianópolis e participa do Nacasa Coletivo Artístico desde a sua criação.

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APRESENTAÇÃO

Exposição Pedra-Carne, de Meg Tomio Roussenq.
Exposição Pedra-Carne, de Meg Tomio Roussenq.

A exposição Pedra-Carne surge do encontro de Meg Tomio Roussenq (Rio do Sul, 1958) com uma pedra. Da cor e textura, que tangiam a aparência de um corpo tenro, porém lascado, aos olhos da artista revelaram-se carne. Ao longo de sua carreira, apreende-se que o processo da artista se desenvolve a partir da descoberta de uma possível materialidade humana na pedra aliada às transmutações decorrentes do fogo.

Como testemunhas silenciosas de tudo que passa, as pedras, apesar de sua imobilidade e estabilidade na natureza, aos poucos se modificam e se deslocam, por vezes em ritmo lento e em outras com grande rapidez e intensidade. Pedras compõem planos, que ora se encaixam e ora rolam na paisagem. E para Meg, de um encontro com uma pedra, e das significações que dela derivam, projetaram-se aquilo que nos constitui: o humano, a carne e os ciclos de transformações.

A descoberta da carne na pedra amplia no trabalho da artista as possibilidades do ser pedra. Se antes a pedra se configurava como algo estático, a carne nela projetada provoca transformações e rompimentos. A pedra então palpita, pulsa e lateja.

Em seguida, instala-se no processo da artista a transformação da matéria por meio do cru e do caos: Meg rompe o invólucro externo da pedra e trabalha o inverso, entornando de vermelhos vivos e saturados a carne que pulsa, que transborda. E de tanto expandir, chega ao processo de desconstrução de corpos.

Nisto que chama de carnificina, Meg trabalha o avesso da pedra sobre vermelhos de tonalidades alaranjadas, representando o fogo. O fogo é o elemento que inicia o processo de transformação da matéria: ele retira o mineral de seu estado bruto, ao mesmo tempo em que o purifica. Passar pelo fogo permite que o avesso da pedra, em seu estado mais puro, seja passível de mutação. A carnificina depura, expurga e encerra aquilo que precisa deixar ir para enfim renascer.

Ao final desta ablução, descobre-se a pedra não mais humana, e sim, como a matéria que origina o ser. Ir ao encontro da carne, é, metaforicamente, o ato de colocar a pedra na condição de semente: é descontruir, para voltar ao início, é se aproximar do caos para florescer e transcender. É partir da pedra e por fim retornar a ela, como os ciclos inerentes à vida.

Pedra-carne é a possibilidade de encontrar no minério bruto algo de humano e entendê-lo como potência de vida. Os trabalhos desta exposição apresentam um ciclo: pedra enquanto semente; a carne como aquilo que representa a matéria humana; a carnificina como a transformação da matéria e por fim o florescer, compreendido menos como o encerramento de um ciclo, e mais como início e fim, concomitantemente.

Anna Moraes e Rafaela Martins | Curadoras

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