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PRÊMIO AF DE ARTE CONTEMPORÂNEA 2019

ANNA MORAES • CYNTIA WERNER • ROMEU SILVIERA

ESPAÇO FERNANDO BECK | 10 DE OUTUBRO A 14 DE NOVEMBRO DE 2019

A 6ª Edição do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea, de Florianópolis é realizada em parceria com a Fundação Cultural BADESC que organiza a mostra com obras dos três finalistas: Anna Moraes, Cyntia Werner e Romeu Silveira. Os artistas foram selecionados por Diego Groisman, Rosângela Cherem e Ylmar Corrêa Neto. No dia da abertura, divulgou-se a atribuição do primeiro lugar à Romeu Silveira, que recebe como prêmio uma residência na Cité Internationale des Arts, em Paris. Para a exposição, as instituições organizadoras convidaram o júri para que apresentassem os artistas selecionados, através de textos que abordam suas obras e trajetórias.

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APRESENTAÇÃO

O que a repetição de uma linha, a apropriação de imagens e a dramatização de jogos têm em comum? São estratégias intrínsecas das linguagens contemporâneas das artes visuais. Três jovens artistas, com base em Santa Catarina, oportunizam ao público conhecer suas diferentes narrativas, processos e referências. Recorte local de reverberação internacional evidenciado por um prêmio que busca ligar duas cidades, dois países, Florianópolis-Paris / Brasil-França.
Incentivo à produção e à formação, esta 6ª edição ativa o circuito viabilizando aos finalistas: mostrar individualmente seus trabalhos em um espaço compartilhado, acesso ao estudo do idioma francês e uma residência na Cité Internationale des Arts para a primeira colocação. A seleção foi realizada por Diego Groisman, historiador da arte e gestor cultural, Rosângela Cherem, curadora, professora e pesquisadora em história da arte e Ylmar Corrêa Neto, curador e colecionador de artes. Os responsáveis pela seleção foram convidados pela Aliança Francesa e pela Fundação Cultural Badesc para também escrever os textos de apresentação dos artistas. A escolha do 1º Lugar coube ao Institut Français, com sede em Paris.
Objetos, esculturas, desenhos, gravuras, assemblages, colagens, fotocópias, fotografias: diferentes linguagens, suportes e procedimentos evidenciam a consistência das questões formuladas por Anna, Cyntia e Romeu, que mantêm, no entanto, o prenúncio de trajetórias a consolidar nos circuitos mais amplos das Artes Visuais.

Solène Leblanc-Maridor | Aliança Francesa de Florianópolis
Eneléo Alcides | Fundação Cultural BADESC

ANNA MORAES

As convicções são diluídas. Não temos certeza se estamos diante de desenhos ou esculturas. Este enigma parece intrínseco à poética da artista em seu horizonte de intenções. Há o desejo de mover o olhar (e o corpo) do outro a uma formulação — ainda que duvidosa e provisória. À primeira incerteza, somam-se outras: as estruturas são rígidas ou maleáveis? Representam um objeto concreto ou formas abstratas? À medida que o ângulo de visão se altera, cria-se um jogo de decifrações — e projeções — que acontece ad infinitum, intermediado pela interação entre luz e sombra. No procedimento artístico de Anna Moraes, parece haver uma correspondência entre a simplicidade dos traços e o próprio fazer artístico em processo. Estabelecendo como ponto de partida a reincidência de imagens, Anna multiplica as possibilidades de interação com as obras e prenuncia, intuitivamente, em nossos afetos, uma transitividade e incompletude, que, em paradoxo, estão repletos de impulso vital e de camadas de reflexão.

Diego Groisman

ANNA KAROLINE DE MORAES SILVA (Foz do Iguaçu, 1988) reside em Florianópolis. É artista visual, professora de desenho, atua como curadora e é co-gestora do espaço cultural Nacasa. Formada em Artes Visuais pela UDESC e mestre em Teoria e História da Arte pelo PPGAV/UDESC, possui pós-graduação em Gestão Cultural pelo Senac/SP. Seu processo artístico apreende questões do fazer por meio de desenhos em diferentes suportes, compreendendo noções da linha, da repetição e da multiplicidade de imagens que derivam em diferentes formas.

Corpolinha, Anna Moraes, 2019. Instalação em arame, 50x20x15cm e 70x130x45cm.

CYNTIA WERNER

Lilith está nos detalhes.
A artista vem desenvolvendo nos últimos anos uma pesquisa consistente sobre o ambiente lúdico, explorando “forças opostas como acaso e controle” e o “faz de conta que são regras”, em suas próprias palavras. Ao gosto dos surrealistas, introduz pequenas inconsistências no espaço seguro, confortável e quase ingênuo dos jogos, seja xadrez ou jogo do bicho, boliche ou “snooker”, bonecas ou marionetes. A fatura é primorosa no desenho, na gravura, na “assemblage” ou na interferência. Para decodificar a linguagem de Cyntia Werner é necessário atenção aos detalhes, qual jogo de sete erros, em busca do estranhamento, da pequena diferença. O observador precisa resgatar regras de conduta ou imagens da infância na procura do erro. O diabo está nos detalhes, na quebra de normas do cotidiano, estimulando a transgressão. Lilith induz a perversão, produzindo uma nova ordem ou o caos.

Ylmar Corrêa Neto

CYNTIA WERNER (Joinville, 1979) reside em Florianópolis. É artista visual com graduação em Artes Visuais pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, mestre em Artes Visuais pelo PPGAV/UDESC, onde agora cursa Doutorado na linha Processos Artísticos Contemporâneos. Tem uma produção que compreende diversas modalidades: desenhos, gravuras, instalações, esculturas, objetos, entre outros, onde o tema do jogo e seus elementos constituem a pesquisa de sua prática artística.

Xeque-mate (detalhe), Cyntia Werner, 2015. Instalação, mesa, cadeiras e intervenção sobre tabuleiro de xadrez, aproximadamente 100x200cm.

ROMEU SILVEIRA

O artista define seu trabalho como uma intersecção entre fotografia e literatura, design e artes visuais, incluindo publicações de artista e desdobramentos impressos em colagem, arte postal e arte xerox. Entre suas referências estão Rauschenberg e On Kawara, além de Hélio Oiticica, Anna Bella Geiger, Paulo Bruscky e Miguel Rio Branco, dentre outros. Seu processo criativo destaca-se pela apropriação e descontextualização, seja pela busca de novas formas narrativas, seja pela prática de desmontagem e rearranjo das imagens fotográficas. Seu arsenal mnemônico remete à infância, quando começou a produzir os primeiros cadernos de colagens. Filho de mãe costureira, acostumada a fazer reforma e customização de roupas e de pai representante comercial que viajava pelo estado com catálogos de roupas, o menino aprendeu a garimpar, recortar e remontar. Sobretudo, através das imagens e palavras impressas, aprendeu a transitar acumulando mais do que colecionando, deslocando e compactando numa combinação de caos e precisão.

Rosângela Cherem

ROMEU JOSUÉ DA SILVEIRA JUNIOR (Brusque, 1988) reside em Itajaí. É designer gráfico, artista visual, fotógrafo, diretor de arte, escritor e apropriador. Formado em Comunicação Social pela UNIVALI, é editor da revista independente Under Pressure.

Humor ou a teoria das sensações, Romeu, 2018-2019. Impressão jato de tinta em papel fotográfico, 8 fotos, 60x80cm cada.

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