Maldonado 1259, 2013. Impressão fotográfica em papel algodão, 40x60. testa

REMINISCÊNCIAS URBANAS

MAÍRA ISHIDA

ESPAÇO 2 | 20 DE NOVEMBRO DE 2014 A 27 DE JANEIRO DE 2015

Com vontade de experimentar perdas e desafetos alheios, a fotógrafa reuniu imagens de casas desabitadas em Montevidéu (Uruguai), fazendo nelas interferências com retratos femininos encontrados em feiras de antiguidade. A leitura das fotografias permite questionar tanto os processos que a cidade sobre ao longo da história, regredindo ou progredindo, quanto o processo histórico da mulher na sociedade. As imagens femininas inseridas nas construções abandonadas por montagem fazem referência ao abandono das atividades domésticas e a inserção da mulher na vida pública. Maíra Ishida nasceu em Florianópolis, começou a fotografar aos 13 anos, improvisando em casa, com a ajuda do pai, um laboratório de revelação onde criava suas propostas técnicas. Cursou Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais, vive e trabalha em São Paulo.

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APRESENTAÇÃO

Maldonado 1321, 2013. Impressão fotográfica em papel algodão, 27x40cm.
Miguelete 1777, 2013. Impressão fotográfica em papel algodão, 27x40cm.

Sempre olhei as casas abandonadas com a sensação de experimentar perdas e desafetos alheios. A mesma sensação me causam as fotografias esvanecidas de desconhecidos. Durante o ano 2013 fui recolhendo imagens de casas desabitadas em Montevidéu e retratos de mulheres encontrados em feiras de antiguidades. Na junção dessas imagens criei uma série em que personagens anônimas voltam a habitar espaços vazios.

Reminiscências Urbanas, em uma primeira leitura, pode referir-se aos processos de transformação que sofre a cidade ao longo de sua história, sobretudo aqueles nos quais os bairros entram em decadência ou se renovam, as casas se veem abandonadas e a memória arquitetônica vai se perdendo. A série também pode manifestar os processos históricos cotidianos: a mulher desprendendo-se do ambiente doméstico para formar parte da vida pública. A conformação da família muda, da mesma forma que a organização urbana.

Porém eu gostaria de propor um outro olhar: fotografias a ponto de ser descartadas se sobrepõem a construções em processo de desmoronamento. Reforçam-se sentimentos comuns na procura por histórias que desconhecemos e que não vamos aprender nunca, por objetos de afeto extraviados e pela cidade que cada vez nos pertence menos.

Maíra Ishida

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