DESTROÇOS EM GAZA
CANABARRO
CURADORIA ISABELA SIELSKI
ESPAÇO JARDIM | 23 DE JANEIRO A 27 DE MARÇO
A exposição no jardim da Fundação Cultural Badesc apresenta um dos mais importantes percursores da cerâmica artística em nossa cidade e Estado. Sua atuação como professor no Centro de Artes da UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina no período de 1978 a 2018 o tornou responsável pela formação de inúmeros (as) artistas, hoje reconhecidos (as) na arte cerâmica. Justa homenagem que visa trazer para o jardim da Fundação, o renomado professor-artista, carinhosamente chamado de “Cana”, que exibe uma produção cerâmica inédita.
O artista, atento as preocupações do seu tempo, se nutre do mundo e opera no campo das tensões sociais, trazendo a debate as dimensões éticas, políticas e estéticas da arte. Canabarro traz a luz por meio de sua arte as barbáries ocorridas em meio as guerras. Mortes de inocentes, independente de idade, raça ou cultura; carnificina, a revolta.
Apresenta por meio da cerâmica, fragmentos da destruição e convida o espectador a ver (e sentir) a cruel realidade: restos, ruínas, devastação. A autenticidade dos acontecimentos se revela por meio de formas, cores, textos, signos. Nos esgrafiados das placas cerâmicas, encontra-se um clamor: PARE!, que do mesmo modo evoca o surgimento da escrita em 3.500 a.C., na Suméria.
A cerâmica como matéria primordial, é um elemento central construtivo de todas as culturas, dos utilitários domésticos a arquitetura. Nos Museus as vitrines apresentam a reconstrução de histórias de civilizações inteiras por meio da colagem de fragmentos dos artefatos em barro queimado. Como um bricouler, Canabarro cria a partir dos “cacos”, ora intencionalmente, outras vezes unindo o que foi destruído pelo próprio procedimento cerâmico, processo empregado em diversas obras do artista ao longo de sua trajetória. E na presente série, em esculturas como “(guerra): Amontoado, 2024”, “Bolo Fatiado, 2023”, ou em “Garrafa do Gênio, 2024”; a relativa fragilidade do objeto cerâmico como metáfora da vulnerabilidade sofrida pelas vítimas do conflito.
Isabela Sielski





















