AUTOFICÇÃO ENQUANTO NAUFRÁGIO
COSME S. • ECO ZAZU • ISADORA NICALADELI • LEONARDO SANCHEZ
ESPAÇO FERNANDO BECK | 25 DE MAIO A 17 DE JULHO
Tudo que é intenso no corpo marca a temporalidade. Um impacto que se fixa como vestígio, um rastro técnico da experiência vivida. Uma janela do tempo que se abre e se fecha, sempre deslocada do presente. Retornar à memória é aceitar que não se apreende todo instante: como vestir uma roupa que encolheu diante do corpo que se expandiu.
A exposição transita nesse território do limiar, entre a translação e a fragmentação das horas. Atravessar o tempo na obra é perder-se na tradução – uma língua ainda oculta, velada. A fronteira entre realidade e ficção se mapeia em gestos táteis, em superfícies pictóricas, na palavra, na mancha, na pincelada. O que resta desse embate entre memória e esquecimento? Autoficção, cenografia mental, um heroísmo desorientado que já não encontra refúgio nos rituais coletivos e está destinado ao naufrágio.
A mostra convoca os vestígios da experiência e seus modos de suportabilidade: imagens que habitam o limiar da imaginação, onde a mudança, o fluxo e a transição se tornam matéria estética. Aqui, o limiar (Schwelle) não é apenas um espaço de passagem, mas uma dilatação do real, permitindo a transição entre estados de existência e percepção.
“Autoficção Enquanto Naufrágio” reúne os artistas Cosme S., Eco Zazu, Isadora Nicoladeli e Leonardo Sanchez, célebres por tantos naufrágios e névoas eternas. Apresenta trabalhos em diversas linguagens como pintura, animação, desenho digital e instalação virtual; convocando o público a um espaço de rememoração e atravessamento.
Isadora Nicoladeli























