CRUZOS OPACOS
TAUAN GON
PRODUÇÃO LÍVIA DE PELEGRIN
ESPAÇO PAULO GAIAD | 30 DE JANEIRO A 06 DE MARÇO
A exposição apresenta um recorte de minha produção entre 2023 e 2024 abordando a relação entre imagens históricas e a experiência afro-brasileira, reencenações são criadas junto às redes de afetos – amigos, irmãos de santo e da rua – estabelecidas nas vivências em Florianópolis. A partir de registros em vídeo, junto à escrita fabulatória, desenho e o embate com a pintura se dá a elaboração de outras imagens. Processualidades que vão a tecer tramas entre a História da Arte, saberes da oralidade afro-brasileira, imagens de arquivo,
interpretações e estranhamentos.
O título da exposição reúne dois conceitos caros às teorias raciais negras: Cruzo, como lugar- ação-sabedoria intrínseca ao negro afro-brasileiro, entendida a partir de encruzilhada em Leda Martins como “lugar radial de centramento e descentramento, interseções e desvios”,
texto e traduções, confluências e alterações, influências e divergências, fusões e rupturas, multiplicidade e convergência”; e Opacidade, termo cunhado por Édouard Glissant para discussão de identidade. Uma condição oposta a transparência catalogadora da experiência colonial. Redutora e achatante. O opaco é, então, o não-redutível, e a opacidade desvia das verdades absolutas.
Ao cruzar imagens, tempos históricos, espaços de troca, memórias, celebra a tradição da ancestralidade e a atualidade afro-brasileira em contínua revolução e reformulação de si mesma. Num momento de amplas revisões históricas, fabulações e afrofuturismos, esta exposição se oferenda às forças do coletivo em seus projetos e percursos de crítica sobre o que já foi criado e do que se criará sobre nós, agora por nós. A partir/para o corpo, individual e coletivo, sempre em movimento. Por essência e excelência, um lugar familiar ao negro.



















