Exposição revisita Manuel Bandeira para repensar a paisagem contemporânea

Inspirada no poema do escritor brasileiro, a coletiva “O Que Eu Vejo É O Beco” vai reunir dez artistas no Jardim da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis; abertura será em 2 de abril

 

A partir do poema “O Beco”, de Manuel Bandeira, a exposição “O Que Eu Vejo É O Beco” propõe um deslocamento do olhar: do horizonte amplo para o espaço estreito, cotidiano e muitas vezes invisível. Com curadoria de Kamilla Nunes, a mostra, que vai ocupar o Espaço Jardim da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, abre às 19h da quinta-feira, 2 de abril, com entrada gratuita.

Reunindo trabalhos de Bruna Granucci, Diane Spagnuelo, Gustavo Scheidt, Jessica Pellegrini, Mariana Colin, OTropicalista, Raquel Stolf, Sara Ramos e Tainá Sant’ana, a exposição vai apresentar obras que tensionam a ideia de paisagem e evidenciam suas camadas de disputa, memória e presença. As proposições dos artistas que incluem objetos, instalações, intervenções e experimentações sonoras e visuais, convidam o público a um olhar situado, atento às fricções entre corpo, cidade e território.

A curadora explica que o poema de Manuel Bandeira funciona como ponto de partida para questionar a paisagem idealizada, ampla e harmônica, frequentemente associada ao horizonte. Em contraposição, o beco surge como metáfora do espaço vivido: estreito, residual, marcado por limites e por aquilo que muitas vezes não se escolhe ver.

Segundo Kamilla Nunes, o olhar não parte do privilégio da vista ampla, mas da condição concreta do corpo situado. “Como nos diz Edouard Glissant, ‘precisamos lidar com um fato: nossa localização é inescapável. O lugar é crucial’. Por isso, o convite para os artistas desta exposição se deu para que possamos lidar, muitas vezes, com o aparente incontornável: da vida, da paisagem, do jardim, da cidade, da casa, do beco e do corpo. É na fricção entre esses lugares, sobretudo entre o jardim e o beco, que essa exposição se constrói: com objetos performáticos, instalações efêmeras, deslocamentos de paisagens, arestas moventes, intervenções que desestabilizam o olhar e obras que reivindicam memórias silenciadas”, compartilha a curadora.

Ao ser instalada no jardim, a mostra cria um encontro entre dois espaços simbólicos: o beco e o jardim. O primeiro convoca a atenção para o que é marginalizado; o segundo introduz a temporalidade do cultivo, da permanência e da transformação lenta. Nesse cruzamento, os trabalhos dos dez artistas vão construir percursos, interrupções e presenças que ampliam a percepção da paisagem como território vivo, político e compartilhado.

A coletiva “O Que Eu Vejo É O Beco” ficará aberta para visitação até 26 de junho, sempre de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h. A Fundação Cultural Badesc está localizada na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis/SC.

Serviço: Exposição “O Que Eu Vejo É O Beco”, curadoria de Kamilla Nunes
Abertura: 2 de abril – quinta-feira, às 19h
Local: Espaço Jardim da Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro – Florianópolis/SC)
Visitação: até 26 de junho, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h
Entrada gratuita