Artista de SP abre primeira exposição na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis

“O Cordão e o Pedúnculo”, de Maria Luiza Mazzetto, que reúne desenhos, objetos, fotografia e animações, será aberta na quinta-feira, dia 20 de agosto

Frutos que lembram órgãos, paisagens que parecem organismos em mutação e desenhos que sugerem corpos em transformação compõem o universo que será apresentado por Maria Luiza Mazzetto na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Em “O Cordão e o Pedúnculo”, primeira exposição da artista na instituição, 11 obras que atravessam diferentes técnicas para explorar encontros entre natureza, corpo e ficção biológica poderão ser visitadas a partir da quinta, dia 20 de agosto. A abertura será a partir das 19h e a entrada é gratuita.

A exposição, selecionada no Edital de Exposições 2026, reúne desenhos feitos com marcadores coloridos, grafite e aquarela, objetos manufaturados em massa para biscuit, fotografia em escala 1:1 e duas breves animações em stop motion. Embora a maior parte das obras já tenha sido exibida anteriormente, esta é a primeira vez que o conjunto é apresentado integralmente em um único espaço. O desenho “montão” será exposto pela primeira vez nessa exposição, assim como as animações “atipia I” e “atipia II”.

O ponto de partida da mostra é a fotografia “O Cordão e o Pedúnculo”, em que caroços de abacate são aproximados da barriga da artista, criando uma semelhança visual entre partes de corpos humanos e vegetais. A partir dessa imagem, Maria Luiza fabula paisagens fechadas onde bulbos, asas, frutas e folhas se entrelaçam com espécies marinhas e seres inventados. O trabalho aborda a proximidade entre animais e plantas, os ciclos de alimentação e decomposição, e também a artificialidade presente na vida contemporânea: dos pesticidas aos corantes, dos conservantes à transgenia.

A artista observa ainda a tensão entre beleza e risco. “A fruta mais bonita é a mais ‘envenenada’, o peixe de cores mais vibrantes é a presa mais fácil do predador, os humanos mais sensuais são os que adoecem por contágio, e os com mais energia vital e vigor são os que mais se aventuram e se arriscam”, compartilha.

A exposição, que apresentará ainda um texto crítico do curador Marcio Harum, que acompanhou o processo recente da artista, pode se abrir para reflexões diversas e múltiplas interpretações. “Essa é a graça de expor. É ouvir como reverbera em cada um, já que somos singulares. Para mim, pessoalmente, ela reflete de modo lúdico o nascimento, a vida, a morte, o geracional, a manipulação do natural, as mutações e um futuro de espécimes desconhecidas”, destaca.

Esta é a primeira exposição da artista na Fundação Cultural Badesc, que fica em um casarão histórico e tombado em Florianópolis. Para mim, que venho do interior de São Paulo, expor esse projeto que aborda, entre outras questões, os seres aquáticos e primeiros em uma cidade que tem mar é uma oportunidade maravilhosa. Poder mostrar todos esses trabalhos reunidos nesse espaço, com todo o apoio da equipe da Fundação, é uma alegria. Espero que a exposição possa reverberar no público de algum modo e com sorte, espero inspirar e fazer conexões”, completa a artista.

“O Cordão e o Pedúnculo” ficará exposta até o dia 8 de outubro no Espaço Fernando Beck, na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis. A visitação poderá ser feita de segunda a sexta, das 13h às 19h e das 10h às 16h, aos sábados.

Sobre a artista:
Maria Luiza Mazzetto nasceu em Ribeirão Preto em 1977. Vive e trabalha em São Paulo. Sua prática aborda um universo de ficção acerca do mundo natural vivo. São construções ou apropriações de cenas que podem aludir a arranjos, florestas, fundos de mares ou interiores de organismos vivos. Nessas cenas que cria, busca tanto o aspecto sensual quanto o aspecto abjeto do que vê e registra. O corpus do trabalho aborda o corpo, o crescimento, sua transformação, sua deterioração, sua finitude, decomposição e o “vir a ser” em um mundo em que o natural convive com o artificial, com o manipulado, um mundo incerto e ambíguo. Participou de alguns salões em museus, como o SARP, o de Jataí, o Programa de exposições do MARP, da exposição Raios e Ramos na Biblioteca Mario de Andrade, entre outras exposições coletivas em espaços independentes e galerias. Realizou 8 exposições individuais, das quais se destaca Dentro do Corpo, durante a temporada de projetos do Paço das Artes em 2019. Formou-se em arquitetura, cursou história da arte com Renata Pedrosa, ilustração com Laura Teixeira, Fernando Vilela e Odilon Moraes, leituras e escrita acerca do seu processo criativo com Nancy Betts, Márcio Harum, Paulo Gallina, Sandra Lapage e Carlos Pileggi. Participou de grupos de acompanhamento de projetos com Monica Rubinho, Sydnei Philocreon e no Hermes Artes Visuais.