Guilherme Bruschi abre 1ª exposição individual na Fundação Cultural Badesc

 

“outros tipos de palavras” reúne trabalhos inéditos que investigam a função das palavras no espaço escolar; abertura será em 27 de agosto

Formada principalmente por fotografias, cartazes, faixas, crachá, partitura, peça sonora e instalação, a exposição “outros tipos de palavras”, do artista Guilherme Bruschi, abre na quinta-feira, 27 de agosto, às 19h, no Espaço Paulo Gaiad, da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. Reunindo 16 trabalhos desenvolvidos entre 2023 e 2026, a mostra foi selecionada na Chamada Pública Paulo Gaiad 2026 – 1ª exposição individual.

O conjunto de trabalhos parte da relação entre imagem e texto e nasce da experiência de Bruschi em sala de aula. As obras foram construídas a partir de três contextos educativos vivenciados pelo artista: um colégio cívico-militar, uma escola municipal e um centro de educação de jovens e adultos, e materializam lembranças de ações educativas e mobilizações poéticas e pedagógicas.

Em “outros tipos de palavras”, o artista investiga a função das palavras e sua capacidade de ampliar ou restringir significados. A exposição parte do interesse em testar outros modos de escrever para além da palavra de ordem ou da palavra como cristalização de um significado fixo e transmissível.

“A exposição trata da função das palavras e de uma paixão minha por expô-las numa situação de ampliação ou restrição de seus significados e significantes. A experiência de passar o tempo quase todo respondendo o que e por que as coisas são abre uma brecha que faz os sentidos se esvaírem. As perguntas das crianças retorcem as coisas e deixam espaço para que elas sejam menos ou mais do que são. Me interessa nomear a mesma coisa diferente, ou nomear a coisa diferente igual. Testar outros modos de escrever”, afirma o artista.

A partir da experiência no espaço escolar, o artista também reflete sobre como a palavra pode criar possibilidades, mas também estabelecer limites. “Muitas vezes, a palavra fundamenta os acessos e não-acessos, impede o trânsito ou instaura uma situação de vigilância constante (e de medo constante). Como escrever diferente? Como dizer diferente? Como capturar no trabalho essa intenção da escrita quando ela ainda está sendo aprendida, mas não consegue ser apreendida”, comenta.

A curadoria da exposição é da professora, artista e pesquisadora Priscila Costa Oliveira e a expografia é assinada por Igor de March e João Vitor Pilati, propositores da Arquitetos de Meio Período (AMP).

Para Bruschi, a exposição também representa uma nova forma de olhar para a própria produção. “É a primeira vez que eu olho para o meu trabalho com um olhar amplo e condensador. Estou pondo junto coisas que foram feitas em espaços, tempos e com intenções distintas. Me interessa produzir essa aproximação pela primeira vez, mesmo com uma abertura para fazer algo sem saber no que vai dar”, completa o artista.

A exposição ficará aberta para visitação gratuita de segunda a sexta, das 13h às 19h e sábados das 10h às 16h, até 13 de outubro. A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis.

Sobre o artista
Guilherme Bruschi, nascido em Palma Sola/SC e residente em Florianópolis, é professor, artista visual e pesquisador, mestre em artes visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e atuante em diferentes condições de inserção, como no ensino de jovens e adultos, no sistema prisional, em colégios cívico-militares e escolas regulares. Sua pesquisa presta especial atenção à colaboração e às possibilidades de encontro entre a educação e a arte, chocando os modos de pensar e de fazer de um campo empenhando nele as metodologias do outro.