A ARQUEÓLOGA NA CASA DO SONHO
LUANDA DE OLIVEIRA
CURADORIA SANDRA CORREIA FAVERO E MARCELLO CARPES.
ESPAÇO FERNANDO BECK | DE 21 DE SETEMBRO A 09 DE NOVEMBRO
As coisas nunca mais retornarão ao seu lugar. Seus fragmentos estão
espalhados, jamais dispostos a reconfigurar-se da mesma forma. O passado
apresenta-se entre o que resta e o que falta, sempre deixando brechas para
retornar ao instante derradeiro, o presente.
A Arqueóloga na casa do sonho constrói um ambiente afetivo possível na
impossibilidade. Em frestas deixadas pelo já ocorrido, fragmentos de memórias
materiais e imateriais desdobram-se em fabulações de novas casas possíveis a
cada olhar, convidando o público a adentrar as tramas da ficção, seguindo
pistas, não se sabe se criadas pela artista ou pela própria Arqueóloga.
Juntando cacos e restos de experiências no mundo, Luanda de Oliveira
monta histórias e cria um fluxo externalizador, na medida em que os visitantes
podem construir sentidos nas lacunas, a partir de suas próprias memórias e
fabulações. Encontra e forja vestígios para multiplicar passagens, abrindo
espaços para novas interferências.
No fundar possibilidades, faz reminiscências falsas brilharem novamente.
Utiliza-se da criação da personagem, Arqueóloga, para a partir de suas
memórias, fabular, escavar, remover camadas, abrir frestas e devolver a matéria
para outras construções.
A matéria constitutiva desta casa perpassa lugares entre realidade e
ficção, entre desejos de acolhimento e de fuga, de familiaridade e diferença,
afirmando em seu íntimo uma abertura à transformação das subjetividades e à
criação de novos lares no mundo. Dos fragmentos de muitas “casas” do passado
– afetos, lugares, épocas, estruturas – são construídas possibilidades de
presentes e futuros.
Uma “casa do sonho”, entre tempos e espaços diversos, onde o caráter
ficcional da estrutura pode gerar forças capazes de se infiltrar na realidade e
transformá-la.
