Reflexão sobre o desejo é tema de exposição em Florianópolis

Grande objeto inflável vermelho integra instalação da artista Flávia Fernandes, que poderá ser visitada a partir de 1º de outubro na Fundação Cultural Badesc

Uma agulha de costura de 1,50 metro, suspensa no interior de um grande objeto inflável vermelho e translúcido é o elemento central de “Desejo”, instalação da artista visual Flávia Fernandes que propõe uma reflexão sobre aquilo que se deseja, mas não se pode alcançar. A obra, que integra a exposição com o mesmo nome, será apresentada a partir da quinta-feira, dia 1º de outubro, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. A abertura será às 19h e a entrada é gratuita.

Com 2,5 metros de altura por 1,40 metro de largura, o trabalho que tem o formato de um paralelepípedo e é feito de plástico inflável, permite que o visitante veja no interior uma agulha suspensa, mas sem conseguir tocá-la. A superfície, por sua vez, pode ser manipulada, pois, de acordo com a artista, o material é macio e afunda quando pressionado, fazendo com que a presença do público interfira diretamente na forma da obra.

“É justamente essa situação, da agulha que permanece visível, mas inacessível, que dá nome ao trabalho. O objeto desperta a vontade de alcançá-lo, mas existe uma barreira entre o visitante e aquilo que está dentro da instalação”, destaca Flávia.

A relação com o visitante é uma característica importante da pesquisa de Flávia Fernandes, que desde 2001 desenvolve uma série de intervenções e instalações utilizando objetos inflados. São trabalhos que exploram a transparência e a maleabilidade dos materiais e convidam o observador a participar da obra por meio do toque e da aproximação.

A obra, que ficará em exposição no Espaço Lena Peixer, já foi apresentada na exposição “Táctil”, realizada em 2021 no Rio de Janeiro com curadoria de Riccardo Tartaglia e Regina Nobrez, da Tartaglia Arte di Roma.

Nascida em São Paulo, em 1956, Flávia Fernandes é artista plástica e visual e vive em Florianópolis. A pesquisa artística tem como uma de suas questões centrais a relação entre corpo, experiência e mundo. “Meu processo artístico é existencial, onde coloco meu corpo no mundo para perguntar como ele se torna mundo”, define.

A produção da artista é marcada pela experimentação entre diferentes linguagens. Além das instalações e intervenções, Flávia trabalha com gravura, pintura, desenho, fotografia, vídeo e teatro. No processo, essas linguagens podem se cruzar e coexistir, sem uma separação rígida entre os diferentes meios.

Esta não é a primeira vez que Flávia expõe na Fundação Cultural Badesc, em 2007 ela participou da coletiva “Lestada e a Desconstrução”. A exposição “Desejo” poderá ser visitada até o dia 25 de novembro, de segunda a sexta, das 13h às 19h e aos sábados, das 10h às 16h, na Fundação Cultural Badesc, que fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis.