
Exposição “O Jardim também sonha”, com curadoria de Victoria Beatriz, abre na quinta, dia 16 de julho; entrada é gratuita
Observação de elementos simples do cotidiano e um olhar sensível dos ciclos da natureza estão presentes nos trabalhos da artista Clara Fernandes, que abre na quinta-feira, dia 16 de julho, a exposição “O Jardim também sonha”. Com curadoria de Victoria Beatriz, a mostra inédita abre a partir das 19h no Espaço Jardim da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis.
Formada por objetos tridimensionais, compostos na maioria por tramas de ferro e gesso, como suporte para plantas, a mostra inédita apresenta 16 obras, com dimensões e densidades bem variadas, que foram desenvolvidas pela artista a partir de 2001. Entre os trabalhos apresentados estão a instalação ‘Efêmera’, que foi inspirada nas flores brancas que surgem da árvore Embiruçu, planta presente no jardim da casa e ateliê da artista no bairro Ratones, em Florianópolis.
“Essas flores, que aparecem à noite e permanecem pouco tempo, se destacam na escala cromática de todo ambiente. E as obras trazem um contraste entre cheio e vazio, leve e pesado, mesmo se tratando dos mesmos elementos”, explica Clara.
A curadora destaca que a artista está sempre percebendo como as árvores crescem, como precisam de água, como todo o sistema precisa funcionar para que aquilo aconteça. “Clara observa como os organismos criam condições para que outras vidas existam. Mais do que representar a natureza, interessa-lhe compreender seus modos de agir, uma tecnologia da própria vida. Por isso, acho bonita essa sensibilidade da Clara em relação à ecologia. A gente consegue perceber certas formas, certos movimentos, que depois vão contribuir para a própria trama das obras”, compartilha Victoria.
Essa será a quarta vez que a artista participa de exposições na Fundação Cultural Badesc. Foram duas individuais, “LUME”, em 2009, e “Epifânicas”, em 2015, e a coletiva “Exaptações – Jardim”, em 2024.
Para Clara Fernandes, ocupar o Jardim da Fundação Cultural Badesc é um exercício que envolve tanto os desafios do espaço e das condições climáticas quanto as possibilidades de ampliar o alcance da exposição. “Ao ser convidada para essa mostra, no Jardim, senti o desafio, no tempo do inverno, sujeito a ventos e chuvas, numa época pessoal onde busco estabilidade e permanência, dada minha juventude. Mas ao sair no espaço externo do atelier, percebi toda essa criação que mantenho, uma verdadeira vida expandida, pensei em fazer ao Jardim da Fundação uma visita do meu jardim”, completa a artista.
A exposição “O Jardim também sonha” poderá ser visitada até 15 de outubro de 2026, de segunda a sexta, das 13h às 19h. A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis/SC.
Sobre a artista
Clara Fernandes, natural de São Paulo, estudou Psicologia na PUC/SP e Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da USP. Vive e trabalha em Florianópolis desde 1983. Participa desde 1985 de mostras coletivas e individuais em diversos estados brasileiros e no exterior. A artista transita pelo campo expandido da tridimensionalidade, incorporando na fatura têxtil de sua poética tipos singulares de tramas. Estas obras se associam ao refugo industrial protagonizando fios de metal, aço, cobre; ora se combinam com uma miríade de elementos que vão desde galhos, musgos, sementes, fibras orgânicas aos vestígios da memória das coisas ordinárias.
Sobre a curadora
Victoria Beatriz é curadora, pesquisadora, arte-educadora e artista visual. Bacharela em Artes Visuais e graduanda em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Trabalhou na conservação de acervos no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) e no Museu de Imagem e Som (MIS), como estagiária do Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (ATECOR) (2019-2021), integrou o projeto ARKHÉ: Arquivos e Acervos de Artes Visuais (2021–2023), foi assistente de curadoria e produção na Galeria de Arte Helena Fretta e coordenou a Residência Artística e de Pesquisa Paulo Gaiad (2023). Realizou curadoria na exposição “Matéria Prolífica”, do artista Paulo Gaiad, na Fundação Cultural Badesc, fez acompanhamento curatorial na Residência Artística Arsenalia, resultando na curadoria da exposição Modos de Fazer Arsenais, no Centro Cultural Veras e integrou a equipe curatorial da exposição Arquipélagos; memórias líquidas, no MASC. Foi curadora da Galeria Mínima durante o ano de 2025. Atualmente, é arte-educadora na Fundação Cultural Badesc e curadora independente.








