OUTROS TIPOS DE PALAVRAS
GUILHERME BRUSCHI
CURADORIA DE PRISCILA COSTA OLIVEIRA
ESPAÇO PAULO GAIAD | 27 DE AGOSTO A 13 DE OUTUBRO
A exposição outros tipos de palavras, de Guilherme Bruschi, nasce em zonas de fricção entre linguagem, educação, disciplina e invenção. Sua prática parte de situações cotidianas e de dispositivos que organizam corpos, condutas e formas de dizer [placas, filas, crachás, exercícios, bandeiras, partituras, fotografias, serigrafias e áudios]. Ao atravessar contextos como a educação de jovens e adultos, o sistema prisional, escolas cívico-militares e espaços expositivos, o artista desloca continuamente as fronteiras entre prática pedagógica, ação política e proposição artística.
Em seus trabalhos, letras, palavras e frases deixam de funcionar apenas como instrumentos de comunicação e passam a operar como campos de tensão. A escrita deriva, escapa, se embaralha e recusa estabilizar sentidos. Em obras como FARSA, o alfabeto perde sua função ordenadora e produz ruído, ambiguidade e desvio. Em proposições coletivas, a linguagem surge como construção compartilhada, atravessada por escutas, desejos, negociações e dissensos.
A exposição também se aproxima do que Marilá Dardot chama de uma arte combinatória do alfabeto “um sistema em que tudo está, ao mesmo tempo, dado e ainda por vir”. Bruschi recupera na linguagem um estado germinal, atento ao som, ao ritmo, ao erro, ao nonsense e às formas de dizer que escapam à norma.
Nesse percurso, trabalhos como Coral de lata, campo vasto e água da chuva mostram como a linguagem pode ser também matéria coletiva. Entre instrução e fabulação, norma e deriva, o artista testa os limites do que pode ser dito.
outros tipos de palavras propõe uma política da escuta. Escutar aquilo que ainda não virou discurso competente, aquilo que hesita, falha ou se desvia. Mais do que explicar o mundo, os trabalhos criam condições para reexperimentá-lo. A linguagem em sua desordem busca aguçar o nosso ouvido à escuta do linguajar das crianças numa relação de aproximação que nos leva a navegar o mundo pela palavra e seus significados. A palavra como um espaço autogerativo, e labiríntico, que permite novas configurações e combinações, uma extensão ou subversão da própria linguagem.





















